O dia em que meu computador morreu

8 08 2010

Eu me mudei recentemente. Vim pra outra cidade fazer faculdade. Trouxe junto de mim o máximo de itens dos quais eu não poderia me separar de jeito nenhum (ou sentiria saudades, é) incluído nisso, obviamente, estava o meu VG. Como a minha irmã também veio comigo, o carro ficou lotado e minha TV acabou não cabendo.

Isso era de menos, depois eu comprava uma TVzinha aqui pra quebrar o galho. As minhas últimas plataformas gamers, no momento, eram o PC e o Gameboy Advance. Gameboy entra em segundo plano por causa do sistema de pilhas e tal.

Ok, só o PC então. Como ele esquenta DEMAIS, faz-se necessário o uso de uma mesa de refrigeração e, para usar a mesa, eu precisaria de uma mesa (apoio, suporte, cômoda, mesa mesmo), coisa que eu não tinha no momento. Fiquei por alguns dias sem jogar nada, até enfim comprar uma cômoda, que funciona como uma escrivaninha para meu PC atualmente.

Instalei tudo, pluguei todos os cabos e liguei. Tudo rodando tranquilo, com um problema. Sinal da internet caindo toda hora. Vista é uma merda. Se eu tiver que recomendar alguma coisa pra você leitor, seria: não use Windows Vista. Se tiver a oportunidade de quebrar um CD/DVD dele e meter fogo, filme isso e me mande, por favor. Sério.
Mas então, Vista dando conflito com a internet, fiquei o resto do dia tentando achar o problema para poder arrumar. Enquanto isso, o STEAM olhava pra mim e dava aquela piscadinha marota “Vem”.

Consegui. Maldito conflito. Internet funcionando de boa, hora de dar aquela jogada de Team Fortress 2 e ver enfim o update do Engie (não vi até hoje). Mas daí me vem outro problema. Estou navegando pelo Firefox, organizando umas últimas coisas do trabalho antes de partir pra jogatina, dai o PC me começa a travar.
Inicialmente parecia ser um problema do Firefox, ele parava de responder a cada 2 minutos e junto com ele, levava qualquer outro programa que estivesse aberto. Depois desse tempo, tudo voltava ao normal. Notei, tarde, que o led do HD ficava aceso direto quando isso acontecia.
Abri o Gerenciador de Tarefas e deixei a janela em primeiro plano, esperando pela próxima travada. Queria ver que raios estava ocupando toda a CPU do meu PC a ponto de fazer travar tudo.
A frustração foi do mesmo tamanho da raiva, ao ver que NADA estava usando a CPU desta forma, estando ela num nível razoavelmente normal.
Era hora de requisitar ajuda superior. Google. Como esperado, resultados em português não me renderam nada além de uns tópicos com a mesma dúvida e sem uma resposta. Vamos em inglês então. Centenas de resultados, leio um por um e vejo que CADA UM tratava do mesmo problema, porém com resoluções diferentes. Ora pois, vamos testar tudo então! Uma hora vai.
E eu testei. Passei mil programas, corrigi um bocado de erros, mas não resolveu.
Apelei para a restauração do sistema, não rolou. Mas que diabos está acontecendo? Em meio a travamentos constantes de 2 em 2 minutos com 1 minuto de duração, reli mais alguns tópicos em fóruns gringos e vi que as únicas opções restantes eram relacionadas ao Hardware do PC.
O desânimo e a raiva por esta merda dar tanto problema estavam crescendo.
Resolvi fazer o último teste: Checagem de memória pela BIOS.
Reiniciei o PC e fui. Memória sendo checada, 20 porcento, 30 porcento, 33 porcento, PC superaquece e desliga, puta que pariu.
Religo ele, tela preta, dura alguns segundos e desliga novamente.
“Ok, deve estar muito quente” penso eu. “Vou dar um tempo, ler algo e depois ligo de novo”.
Passam-se vinte minutos e eu tento ligar de novo. Tela preta, alguns segundos depois desliga.
Fudeu.
Tenta de novo, e de novo e de novo. Não aparece nem a tela de boot.

Dou uma olhada em uns foruns pelo netbook da minha irmã e só vejo coisas depressivas: “é a placa mãe. É a bios. Nossa isso é tenso cara.”
Cheguei ao limite e com raiva eu não faço mais nada, não racionalizo direito. Fui dormir, que se dane.

No dia seguinte, ao abrir os olhos, antes de fazer qualquer coisa meu corpo se projetou em direção a cômoda do PC, puxou o cabo de força dele e o ligou pela bateria.
Pela primeira vez na vida, a logo da HP abriu um sorriso no meu rosto sonolento. Após mais alguns testes posteriores, deu pra concluir que tudo isso tinha sido causado por um mal contato no plug de energia em que a fonte estava ligada. Troquei ele e o PC enfim voltou ao normal. O mais interessante de tudo isso é que até agora (no momento que escrevo isso) ainda não fui jogar o TF2. Tá na hora!

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O fator Zema

25 07 2010

A minha infância gamer foi dividida em três eras:
1994-1996 Atari. O único jogo que eu dispunha era um dos Smurfs. Eu lembro que você começava no vilarejo deles e ia andando pela floresta. O primeiro obstáculo era um pequeno rio com um jacaré, que você tinha que pular por cima. Eu nunca consegui passar desse rio (era tipo, a primeira coisa que você encontrava). A outra margem sempre parecia mais distante, eu pulava e ela meio que se esticava, sabe?
1997-2002 Master System II. Alex Kidd, Back to the Future II, Double Dragon, Bonanza Brothers e Turma da Monica em o resgate. Esses foram os jogos que marcaram essa época.
2003-2004 Playstation 1. Sim, foi curto. Enquanto eu jogava Silent Hill 1, entrei por uma porta e a tela ficou preta. O VG nunca mais ligou.

Agora vamos voltar ao ano de 2001 (que se repararem, eu ainda não tinha o PS1). Eu tinha me mudado para outro bairro e lá, consequentemente, fiz novos amigos. Um deles era bem menor que todos da turma e ele tinha um PS1.
Todo mundo sempre ia na casa dele pra jogar. Era o “ponto de encontro”. Se queria achar alguém, bastava ir na casa dele e lá estaria o sujeito. As jogatinas eram quase sempre feitas em grupo. Os RPGs (gênero mais jogado por lá) era, por incrivel que pareça, tão divertido quanto (ou até mais) que qualquer jogo multiplayer que ele tivesse (e que todos pudesse jogar ao invés de apenas um).
Nos RPGs, apenas um membro jogava e todos os outros ficavam olhando, torcendo e especulando (porque a gente não sabia nada de inglês). Se você já jogou na época do PS1, deve se lembrar que a maioria dos RPGs tinha mais de um disco. O espaço no memory card era limitado em “blocos” e tinham determinados jogos que ocupavam bem mais de um bloco. É ai que a história realmente começa. Com apenas um Memory Card em mãos, era ali que depositavamos todos os nossos saves e esperanças. Voltavamos para nossas casas com uma sensação inocente de segurança. Nosso progresso está a salvo. Nosso level está a salvo. O grau de segurança que o fator “salvar” criara nas nossas consciencias fez com que ignorássemos qualquer outro fator. Fez com que ignorássemos o fator Zema.

Além de nós, um tio desse nosso amigo também ia lá sempre para jogar PS1. Chamaremos este tio de “Zema”. Ele basicamente jogava hack ‘n slashes, 101 dálmatas, jogos de luta. Coisas simples, que praticamente não requerem save ou que gastam muito pouco bloco no memory card. Nossa vida foi feliz até o dia em que Zema abriu a caixa de Pandora e descobriu o Winning Eleven. Ele tomou a liberdade de comprar todas as edições disponíveis do jogo e levar de “presente” para o seu sobrinho. Ele era o único que jogava, óbvio. Winning Eleven nos apresentou uma característica interessante que era salvar o replay dos gols que você fazia.
Zema, jogando todo empolgado decide então salvar seus gols esdrúxulos no único memory card da casa.
“Opa, o replay gasta dois blocos, só tem um livre, vou apagar esse save aqui então e pá.”
Ok.
No dia seguinte…
“Hoje a gente zera cara, ontem eu cheguei no final do disco 4, já tô level 70 com todos, hoje a gente zera! (…) Ué, você comprou outro memory card? Cadê o antigo? Hum? Não comprou? Tá falando que não tem nenhum save aqui.”
As ações que se seguem após isso são de praxe. Tira o CD, liga o VG, vai em Memory Card e verifica se o Save está lá. Não está, ok, chore.

O primeiro caso foi suficiente para abrir os olhos para o fator Zema. Compramos imediatamente outro memory card e reservamos ele exclusivamente para saves que JAMAIS poderiam ser apagados.
O memory card em questão ficava guardado em uma gaveta. O antigo permanecia no VG o tempo todo, já tinhamos transferido tudo e aquele seria usado apenas para “lixo”. Zema continuava se divertindo e agora gravando até 7 replays de uma vez, uau!

Isso até outro fatídico dia. Em uma festa de aniversário, o memory card “secreto” ficou a mostra sobre a cômoda. Quando foi jogar o seu Winning Eleven, Zema ficou na dúvida sobre qual dos dois era o “dele” e pegou o secreto (puta merda, isso se parece muito com desenho animado. Mas foi real). Na hora de gravar seu replay: memory card cheio. Zema não considera a opção de tentar gravar no outro memory card. Desliga o VG e realiza a operação padrão. Memory card cheio? DELETE ALL.

Depois disso, cada um comprou um memory card próprio, que ia do VG para sua respectiva casa. Até eu (que mal jogava).





A época em que jogávamos no X

29 01 2010

Se você joga video game desde pequeno, provavelmente naquela época, não sabia nada de inglês.
O que fazer então quando um jogo começa a ter uma tsunami de diálogos? Passe-os o mais rápido possível!
Seja o botão 1 do Master System, o botão A do Super Nintendo ou o botão X do Psone, se uma conversa aparecia na tela esses botões eram pressionados na velocidade da luz.
Quem quer saber de história que não pode entender? Queremos jogar!

Hoje, quando isso me veio a mente eu fiquei encucado. Eu gostava (e ainda gosto) muito de jogos de RPG , e na época que ganhei meu Psone eu sabia muito pouco de inglês, só reconhecia palavras soltas simples (cat, dog, milk…), resumindo: eu jogava no X.

Aparecia um diálogo? XXXXXXX
Até quando ia se conversar com um NPC onde você inciava a conversa (chegando na frente dele e puxando assunto) o X predominava.
Sem informações sobre o que fazer o jogo se tornava extremamente difícil, tendo você que adivinhar para onde ir, que item conseguir para entregar para quem e tudo mais. Isso fazia de nós jogadores hardcore! Tinhamos que visitar e re-visitar lugares até alguma cena ou evento acontecer pra nos dizer que estávamos no caminho certo, jogávamos no instinto.

Um amigo me perguntou, “Cara, a gente não entendia nada da história, por quê a gente jogava esses jogos de RPG? Por que a gente se empenhava nisso?”
Ele mesmo, depois de um tempo, respondeu sua própria pergunta: “Para ver os CGS, as animações”

Eu no entanto penso diferente, ainda mais por jogar desde a época do Atari, onde não fazíamos idéia do que viria por ser um CG. Quando eu jogava estes jogos eu modelava a história. As imagens mostradas na tela processavam uma história “fictícia” na minha mente.

Atualmente, quando fui jogar de novo um dos jogos daquela época (Final Fantasy IX), deu pra entender toda a história, que é completamente diferente da imaginada por mim anos atrás, parecia que eu estava jogando outro jogo!