Castelos, Choques e Alex Kidd

4 02 2010

Essa minha história já foi publicada no Start Pausa do NowLoading, no entanto estou postando aqui pois este foi o primeiro jogo que finalizei, imaginem a emoção que senti na época! OK, não imaginem, leiam!

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O nome do jogo é Alex Kidd in Miracle World, acho que a maioria da nação gamer o conhece, seja por foto, por fofoca, boataria, história de pescador ou por ter jogado mesmo.

O jogo vinha na memória do console Master System II, no qual eu era vidrado quando criança: “Sistema de Mestre, sistema de mestre, sou um mestre!”
Eu nunca soube da história do jogo (e nem sei até hoje), o que mais me incentivava a jogar eram os meus objetivos inventados. Até certa época eu conseguia chegar no primeiro castelo, um azulão, cheio de morceguinhos DE VERDADE! De verdade porque esses realmente tinham aparencia de morcego, diferente daqueles da primeira fase que também são chamados assim (ou é loucura minha?).

Pois então, neste castelo, em uma determinada área, podiamos encontrar o irmão do Alex, era bem estúpido, a gente chegava lá, libertava ele (entenda libertar como remover uma pedra de cima da “prisão” dele) e aparecia uma janela de conversação, depois disso ele ficava lá parado no mesmo lugar, pra sempre. Esse era meu objetivo primário no jogo, salvar o irmão do Alex, depois disso as fases ficavam mais difíceis, entao o pensamento da vez era: o que vier é lucro. Meu objetivo ainda não tinha sido alcançado, apesar de não saber o que estava objetivando, eu continuava a jogar. Alex não poderia enfrentar todos aqueles morcegos e insetos sem mim, apenas eu podia controlá-lo!

Um fato que todos devem saber é que quando chegamos nos chefes desse jogo, temos um combate de pedra, papel e tesoura. Os primeiros chefes tem seus movimentos pré-definidos, então era praticamente impossível perder (eu anotava todas as combinações atrás do manual do jogo). Porém, em chefes mais avançados, estes movimentos são completamente aleatórios! Ou seja, depende totalmente da sua sorte! E pra piorar, são maus perdedores! Sempre que perdem fazem alguma coisa pra te derrotar, seja lançar pixels brancos sobre você ou desligar a cabeça do corpo e colocar ela pra te perseguir. Ainda tem mais, consoles daquela época não salvavam e suas vidas eram escassas, caso desse Game Over, teria que recomeçar do zero! Mas o que é isso pra um gamer motivado? Desafio!

Continuei minha jornada por aquele mundo milagroso, e finalmente cheguei ao segundo castelo! Nunca tive tamanha decepção na minha vida. Passados inúmeros desafios e chefes aleatórios, ao chegar no castelo me deparo com um balão de texto e nada mais! Sem rumo, segui em frente. O soco do Alex cada vez me supreendia mais, apesar de não conseguir quebrar as “pedras cinzas e vermelhas”, derrubava touros e outras pedras de variadas cores. Santo bolinho de arroz!

Dia após dia estava eu lá na frente do vídeo game jogando Alex Kidd. Eu sentava em uma cadeira de madeira com pernas de ferro e descalço. Após horas em frente a TV eu tinha me ultrapassado. Finalmente tinha chegado em uma fase que nunca tinha chegado antes. Fiquei meia hora parado em frente a lojinha me preparando psicologicamente para não morrer já que só possuia três vidas naquela altura do campeonato. Subitamente o som ambiente mudou, tinha começado a chover. Minha mãe começou com a ladainha: “Desliga isso, tá chovendo, vai trovejar!”. “Desliga isso?” Hahahahaha, tá bom, já até desliguei. Obviamente continuei a jogar ignorando os lamúrios da minha progenitora. Finalmente adentrei a lojinha e lá estava ela, a “motinha“. Caramba, fase da motinha agora? Vai ser difícil pra caramba!

Me concentrando ao máximo fui com tudo pra tentar passar a fase. A expectativa do que viria a seguir era tanta, eu estava tão dentro do jogo que nem percebia que estava começando a trovejar, me desliguei completamente do mundo. Depois de duas tentativas, passei de fase, o que me deixou a um passo de ter que começar o game todo de novo. Naquele momento o que eu mais queria era achar uma vida, tinha chegado muito longe pra parar ali. Decidi pensar em uma estratégia segura pra próxima fase. Eu tinha um encarte enorme do jogo, que veio junto do vídeo game, onde mostrava o mapa detalhado de todas as fases. Quando estava procurando o mapa da fase em que estava, notei que, depois dela era o último castelo! Não sei descrever como me senti naquele momento, mas foi uma mistura de excitação e cautela. Estou quase zerando, mas se morrer uma vez, acabou.

Peguei novamente o controle e me sentei, jurei pra mim mesmo que chegaria ao castelo, podia até morrer, mas tinha que ser lá! Ao chegar na metade da fase, um estrondo mais alto que os demais chamou minha atenção, virei meu rosto no susto pra tentar ver de onde vinha e quando retornei meus olhos pra TV foi só o tempo pra sentir aquela descarga elétrica passando pro meu corpo e me derrubando no chão com cadeira e tudo, a TV, o vídeo game, assim como tudo na casa se desligou, me deixando no chão em um breu total. A raiva que eu queria sentir por aquilo ter acontecido deu lugar ao susto, afinal eu tinha sete anos de idade.

Após aquele dia me despedi do Alex. O pequenino no entanto parecia não querer se despedir de mim. Semana após semana eu ficava tentado a jogar e tentar chegar ao castelo. E enfim, dois anos depois, fui dormir na casa de um primo e quando cheguei lá, o que ele estava jogando? Sim, Alex Kidd. Diante daquela cena não pude deixar de não jogar, meu primo era um exímio motoqueiro (no jogo), conseguia passar de todas as fases da moto sem perder uma vida sequer. O dormidão ficou pra outro dia, passamos a noite em claro jogando e perto do raiar do dia, finalizamos o jogo. A sensação de zerar um jogo naquela época era impronunciável, indescritível, ainda mais esse jogo sendo Alex Kidd! Um dos jogos mais difíceis que já vi!

Não podiamos fazer barulho porque ainda era muito cedo, então colocavamos o travesseiro no rosto e ríamos sem parar. Depois disso tudo, paramos um pouco pra discutir sobre o final, isso porque ele havia sido muito súbito. No meio de uma fase, subimos em uma plataforma, pegamos uma coroa e pum, acabou. Depois disso vinham os créditos e naquela época ninguém sabia ler inglês então não adiantou muito, mas apesar disso eu havia encontrado o objetivo do Alex, achar a coroa, só não me perguntem o que ele iria fazer com aquilo.



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